EMDR



Libertando-se do trauma com a ajuda do EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento pelos Movimentos Oculares)

         Quem nunca ouviu frases como essas? “Não fale assim que vai traumatizar o menino?”, “Tenho medo de avião”. “Maria é uma pessoa traumatizada...”

            Todos nós, em algum momento, já ouvimos ou falamos frases desse tipo. Mas o que é trauma e o que significa dizer que alguém é traumatizado?

            Trauma é uma palavra, de origem grega, que significa “ferida”. Trata-se de uma reação provocada por um acontecimento altamente perturbador e potencialmente ameaçador à pessoa. Assim essa pessoa tem uma espécie de ferida psicológica não curada e que ainda dói, mesmo que este indivíduo não tenha noção do que seja esta ferida. Ela tem vivência dos efeitos desta ferida. Em alguns momentos e situações, sente-se mal, com um grande medo ou com crises de choro e desespero, mas nem sempre sabe por quê.

O curioso é que, no trauma, temos um paradoxo: embora adote o mecanismo de evitação ou fuga, a pessoa traumatizada vive se envolvendo em situações que ativam sua ferida, fazendo-a sofrer (“compulsão à repetição”).

Muitas situações traumáticas acontecem na infância, quando realmente somos mais frágeis, dependentes e impotentes diante de uma série de situações. Pessoas que não suportam ser tocadas; ou que ficam paralisadas quando estão diante de autoridades ou quando vão fazer um teste; ou que apavoram quando vêem um cachorro ou tem que subir num avião podem estar revivendo uma a situação traumática devido a alguma semelhança da situação atual com alguma já esquecida no passado. Há vários sinais indicadores de trauma emocional. Com o EMDR, podemos superar isso, pois a técnica permite que as imagens e estímulos que nos fazem sofrer percam esse poder de gerar sofrimento, tornando apenas lembranças. Ou seja, há uma dessensibilização, e elas deixam de nos sensibilizar e provocar fortes reações emocionais.

Além disso, nossa memória traumática difere da memória comum, pois guarda detalhes visuais, às vezes auditivos, às vezes físicos, às vezes emocionais, como se tivesse ocorrido há pouco tempo. O indivíduo pode lembrar-se dos sons ambientes, dos talheres, das bebidas, do sabor dos alimentos. A memória fica, portanto, registrada e congelada no cérebro, principalmente no hemisfério direito, grande responsável por administrar nossas emoções. Por outro lado, as ferramentas que nos permitem conferir novo significado à experiência e deixá-la finalmente no passado se encontram no hemisfério esquerdo, responsável por nossa objetividade e racionalidade.
 
Como o EMDR funciona?
 

               A focalização de elementos da memória traumática e a estimulação bilateral (visual, auditiva ou tátil) promovem o “diálogo” entre os hemisférios cerebrais e a “metabolização” (reprocessamento) do trauma. Em pouco tempo, o indivíduo tem a sensação de maior distanciamento da perturbação traumática. Espontaneamente começa a reavaliar a experiência a partir de uma perspectiva mais otimista. É comum que após o reprocessamento a lembrança do que antes era uma morte traumática perde seu poder de ferir e a pessoa é capaz de resgatar as lembranças de bons momentos. A partir dessas conquistas, a pessoa organiza-se melhor, passa a desfazer-se de sentimentos de culpa inadequados, consegue planejar um futuro melhor, a se permitir desejar coisas boas para si.

Na dúvida entre carregar um peso emocional desnecessário pela vida ou experimentar uma intervenção com EMDR, tente a segunda alternativa.

         Para sua maior segurança, verifique se seu terapeuta possui o certificado de conclusão do treinamento conferido pelo EMDR Institute.
 
 
EMDR
Eye Movement Desensitization and Reprocessing

Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares

“EMDR é uma nova terapia especialmente útil para a transformação das lembranças traumáticas. De forma revolucionária, ajuda a libertar a mente e o corpo, e a abrir o coração. É uma forma de ver a conduta disfuncional, quando se acredita que a sua origem está em incidentes traumáticos do passado. Quando estes são identificados de forma sábia e hábil podem ser processados e integrados, o que resulta em condutas funcionais e apropriadas” (Parnell, 1997,39).

O EMDR é um método que vem revolucionar a história do trauma na psicoterapia nos últimos 100 anos, podendo ser utilizado pela maioria das modalidades psicoterapêuticas, sem ferir suas referências teóricas, para tratamento de traumas, fobias, depressão, ansiedade e estresse pós-traumático, bem como suas conseqüências e co-morbidades.  Este método utiliza o nosso próprio cérebro para o processamento de situações traumáticas, permitindo poder “ver” o que sempre esteve ali, para enunciá-lo e investigá-lo. O EMDR facilita a eliminação da amnésia que recobre o trauma e os resultados posteriores de potencialização das capacidades das pessoas em todas as áreas da vida.

A estimulação bilateral empregada pelo método ativa os mecanismos naturais de cura que agem no corpo e na mente, por isso a rapidez de seus efeitos é percebida em pouco tempo. Tais efeitos rápidos e positivos resultam de mudanças eletrobioquímicas que reequilibram um sistema fisiológico inerente responsável pela assimilação saudável do evento traumático.

Parece haver um sistema inato de processamento de informações que, se bloqueado, causa tais patologias. Portanto, se a memória traumática for acessada e o sistema for reativado (que é o que faz o EMDR), a informação é levada a uma resolução adaptativa. Trata-se de um método para o tratamento de memórias traumáticas que não requer uma exposição prolongada a estímulos geradores de alta ansiedade, e que, ainda assim, dessensibiliza rapidamente o evento traumático.

O objetivo do tratamento com EMDR é, então, o de metabolizar de forma rápida o resíduo disfuncional do passado e transformá-lo em algo útil, por meio da modificação espontânea da forma e do conteúdo da informação disfuncional. E, embora o EMDR possa aliviar rapidamente a tensão perturbadora (distress) causada por um único trauma, os clínicos devem considerar com cuidado alguns fatores (história clínica detalhada, avaliação apropriada e preparação para o tratamento) antes de lançar mão da técnica. Por isso, sua aplicação requer um profissional clínico devidamente capacitado e certificado pelo Instituto de EMDR dos Estados Unidos. Os pensamentos perturbadores ou lembranças traumáticas tendem a repetir-se constantemente até que a pessoa faça algo consciente para detê-los ou transformá-los. Com o EMDR, percebeu-se que memórias antigas podiam ser acessadas e resolvidas pelo método, por meio da conexão adaptativa de redes neurofisiológicas associativas no sistema de processamento de informações, atingindo uma dessensibilização substancial e uma pronunciada reestruturação das percepções relacionadas ao evento traumático.

O EMDR, então, age tanto sobre a ferida traumática quanto sobre o conflito que dela surge, tornando-se uma abordagem terapêutica completa e rápida. O Modelo do Processamento Acelerado de Informações foi desenvolvido para explicar a rapidez com que foram obtidos resultados clínicos com o EMDR e a consistência de muitos padrões de respostas a este.

Este modelo considera que a maioria das patologias deriva de experiências anteriores de vida que põem em movimento um padrão continuado de afetos, comportamentos, cognições e conseqüentes estruturas de identidade. Desde casos simples de Transtorno de Estresse Pós Traumático e Fobias até situações mais complexas, tais como Transtornos de Pânico, algumas formas de Depressão, Dissociação e Transtornos de Personalidade, a patologia é encarada como configurada pelo impacto das experiências remotas que são mantidas no sistema nervoso numa forma estado-específica.

A natureza disfuncional das memórias traumáticas, incluindo a forma como são armazenadas, permite que afetos e crenças negativas do passado penetrem na vida presente da pessoa. O processamento de tais memórias por meio do EMDR possibilita que os afetos e as cognições presentes, mais positivos e fortalecedores, se difundam pelas memórias associadas, por toda a rede neural, levando o cliente a comportamentos espontâneos mais adequados. As patologias clínicas são, portanto, entendidas como passíveis de mudança, se o clínico focalizar de forma apropriada a informação que foi armazenada de maneira disfuncional no sistema nervoso.
Após o tratamento com EMDR as memórias são armazenadas com uma memória menos perturbadora, com uma cognição positiva e com o afeto apropriado. Os flashbacks e os pensamentos intrusivos são completamente eliminados ou decrescem muito em número, sendo que quando ocorrem, surgem sem ansiedade. Além disso, não há mais quaisquer sensações físicas perturbadoras acompanhando tais memórias. Quando as memórias específicas são reprocessadas, o senso de auto-valorizaçao e auto-eficácia do paciente sofre uma transformação automática.

 Sendo assim, o EMDR abre as possibilidades de que se desenvolvam ações mais eficazes no campo social, fornecendo ajuda psicológica rápida a moradores em áreas de conflitos, vítimas de violência doméstica urbana, abuso sexual, acidentes, agressões e catástrofes naturais, podendo ser implementado nos programas de atendimento a populações atingidas pelo trauma, através de organizações não governamentais, instituições públicas e privadas. É importante enfatizar que o trauma seja ele qual for, tende a se propagar através de suas vítimas, ou seja, pais traumatizadores criam filhos traumatizados que, por sua vez, irão tender a ferir seus amigos e filhos, retroalimentando uma cadeia de ações agressivas.

Francine Shapiro, a criadora do EMDR, sabe que o trauma determina o sofrimento e, às vezes, violência. E a nossa meta, com utilização do EMDR, é cortar o ciclo de violência entre os homens.

Estudos de casos publicados e apresentações em conferências têm descrito bons efeitos no tratamento com EMDR com uma ampla gama de populações clínicas incluindo as seguintes:

1 – Ex-combatentes da Tempestade no Deserto (Desert Storm, da Guerra do Golfo, da Guerra do Vietnã, da Guerra da Coréia e da Segunda Guerra Mundial) que haviam apresentado anteriormente resistência ao tratamento, e que deixaram de vivenciar flashbacks, pesadelos e outras seqüelas de TEPT (Blore, 1997b; Carlson, Chemtob, Rusnak & Hedlund, prelo; Daniels, Lipke, Richardson & Silver, 1992; Perry, no prelo; Taber, no prelo; Thomas & Gafner, 1993; Viola & McCarthy, 1994; Young, no prelo).

2 – Pessoas com fobias e transtorno de pânico que revelaram uma rápida redução do medo e da sintomatologia (Doctor, 1994; de Jongh & ten Broeke, 1998; de Jongh, tem Broeke & Renssen, no prelo; Feske & Goldstein, 1997; Goldstein, 1992; Goldstein & Feske, 1994; Kleinknecht, 1993; Nadler, 1996; O’Brien, 1993).

3 – Vítimas de crimes e policiais que já não mais são perturbados por efeitos posteriores a ataques violentos (Baker & McBride, 1991; Kleinknecht, 1992; Page & Crino, 1993; Shapiro & Solomon, 1995, no prelo).

4 – Pessoas aliviadas de uma aflição excessiva decorrente da perda de um ente querido ou de mortes durante o cumprimento do trabalho, tais como maquinistas que não mais sentem-se devastados de culpa por haver seu trem matado pedestre involuntariamente (Puck, 1991ª; Solomon, 1994, 1995, no prelo; Shapiro & Solomon, 1995).

5 – Crianças curadas de sintomas causados pelo trauma decorrente de ataques ou desastres naturais (Chemtob, Nakashima, Hamada &Carlson, 1996; Cocco & Sharpe, 1993; Datta & Wallace, 1994, 1996; Greenwald, 1994, 1999; Lovett, 1999; Pellicer, 1993; Puffer, Greenwald & Elrod, no prelo; shapiro, 1991; Tinker & Wilson, 1999).

6 – Vítimas de ataques sexuais que hoje são capazes de levar vidas normais e ter relações íntimas (Hyer, 1995; Parnell, 1994; Puk, 1991a; Shapiro, 1989b, 1991, 1994; Wolpe & Abrams, 1991).

7 – Vítimas de acidentes, cirurgias e incêndios que estiveram debilitadas emocional ou fisicamente e que agora conseguiram retomar suas vidas produtivas (Blore, 1997a; Hassard, 1993; McCann, 1992; Puk, 1992; Solomon & Kaufman, 1994).

8 – Vítimas de disfunções sexuais que hoje são capazes de manter relações sexuais saudáveis (Levin, 1993; Wernick, 1993).

9 – Clientes em todos os estágios de dependência química e pessoas com uma relação patológica de compulsão por jogos de azar que agora apresentam uma recuperação estável e um decréscimo na tendência a reincidências (Henry, 1996; Shapiro, Voglemann-Sine & Sine, 1994).

10 – Pessoas com transtornos dissociativos que progrediram a uma taxa mais rápida do que a alcançada pelo tratamento convencional (Fine, 1994; Lazrove, 1994; Lazrove & Fine, no prelo; Marquis & Puk, 1994; Paulsen, 1995; Rouanzion, 1994; Young, 1994).

11 – Pessoas envolvidas com negócios, artes performáticas e esportes que se beneficiaram do EMDR como uma ferramenta para ajudá-las a aprimorar seu desempenho (Crabbe, 1996; Foster & Lendl, 1995, 1996).

12 – Clientes com uma variedade de TEPT e outros diagnósticos que experimentam benefícios substanciais com o EMDR (Allen & Lewis, 1996; Brown, mcGoldrick & Buchanan, 1997; Cohn, 1993; Fensterheim, 1996; Forbes, Creamer & Rycroft, 1994; Manfield, 1998; Marquis, 1991, Parnell, 1996, 1997; Puk, 1991b; Shapiro & Forrest, 1997; Spates & Burnette, 1995; spector & Huthwaite, 1993; Vaugham, Wiese, Gold & Tarrier, 1994; wolpe & Abrams, 1991).


SEJA UM PROFISSIONAL CAPACITADO – Treinamento Básico em EMDR

A Clínica Espaço Absolut – Saúde e EMDR em parceria com o EMDR Brasil e com a EMDRIA (EMDR International Association) é a única clínica em Goiânia que oferece o curso de formação em EMDR.

  CRITÉRIOS DE ADMISSÃO

    O treinamento é restrito à psicólogos com CRP, psiquiatras, e médicos que tenham treinamento prévio em psicoterapia (360h, correspondentes a uma pós-graduação lato sensu). (Casos omissos deverão ser avaliados previamente pela equipe treinadora).

   Processo de formação: O treinamento em EMDR®:
O treinamento completo encontra-se subdividido em três módulos, compostos de um final de semana cada um. São eles:

1) Módulo (1) Introdutório: composto por aproximadamente 20 horas, divididas entre apresentação da teoria, protocolos clássico e específicos, bem como prática dos papéis de terapeuta e paciente;
2) Módulo Intermediário: composto por aprofundamento de teorias de trauma, dissociação e um período de ao menos 10 horas de supervisão de casos (exigência da EMDRIA); e
3) Módulo (2) Avançado: apresentação de teoria, protocolos e técnicas específicas para administrar bloqueios de reprocessamento, subdividido também em 20 horas de teoria e prática.
 
      
   Conclusão do Treinamento Básico:
Os certificado são outorgados pelo EMDR Institute (R$50,00) e EMDR Ibero-américa (R$20,00). Exige-se que em cada módulo o participante seja terapeuta e cliente nas práticas. Exige-se a comprovaçao de 50 Fichas de Trabalho (25 + 25), e 10 horas de supervisão (incluidas na formação básica).
 
TREINADORES
 
  Esly Regina Souza de Carvalho, MSc, LPC, TEP
  Psicóloga e psicoterapeuta brasileira,
consultora e capacitadora, fundadora da Praça do Encontro em 1998; autora de vários livros, manuais e artigos na área de saúde emocional e comunitária, aconselhamento, Bibliodrama, Psicodrama e psicoterapia de grupo, e EMDR.

  Dr. André Maurício Monteiro
Psicólogo (CRP 01/3832), mestre e doutor em Psicologia (UnB);
estágio pós-doutoral no Psychiatrische Dienste Thurgau, Suíça e
na Rhein Klinik, Alemanha; Professor de Psicologia da Universidade
Católica de Brasília (2000-07); Terapeuta-Didata e Professor-
Supervisor em Psicodrama (FEBRAP); Facilitator e Full Trainer
em EMDR (EMDR® Institute - EUA) com treinamento em várias
cidades do Brasil e em Portugal.

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